A pobreza de entendimento espiritual do homem tem causado disputas, separações e divisões intermináveis. As religiões, na grande maioria sustentada por falsos princípios, fragmentaram-se. Os dogmas que as sustentaram por séculos, conferindo-lhes poder e prestígio, hoje, as tornam vulneráveis, frágeis e insuficientes diante da alma humana que saiu da infância do crer para entrar na maturidade do saber.
Cada crença reivindica a posse exclusiva de Deus, da salvação, da verdade absoluta, com total exclusão dos demais. Em nossa tola presunção, acreditamos que o Senhor se preocuparia mais com a forma do que com o fundo, ou seja, que seremos admitidos nos reinos divinos em função da crença que esposamos e não do bem que praticamos e do mal que evitamos. Nos faz lembrar o diálogo de Jesus com o doutor da lei em Lucas 10:25-37. O Mestre divino foi claro em dizer que o Reino Celeste não está reservado àqueles cuja Palavra de Deus está presente nos lábios, mas ausente do coração ( entenda-se nas ações). Para frustração do sacerdote intelectualizado e alegria do povo simples, o Messias indicou o Samaritano, marginalizado e desprezado pelos judeus, como sendo o legítimo herdeiro da Vida Eterna. Em outras palavras, Jesus não afirmou que aquele homem seria salvo por ser judeu “samaritano”, e o outro condenado por ser judeu “ortodoxo”, e sim pela caridade que somente o primeiro soube demonstrar, para com o desconhecido necessitado. O pregador da Lei podia ter pleno domínio no manuseio e conhecimento das Escrituras. Era rico de informação, mas pobre de Amor. O Samaritano, por sua vez, podia ser miserável de conhecimentos, mas era milionário de sentimentos nobres. A caridade, mostrou o Cristo, é o único caminho que nos conduz à felicidade nos céus. Isso porque a caridade é Universal. Não é propriedade de nenhuma religião. Todos, sem distinção de raça, cor, credo, sexo, idade, podem praticá-la. Importante lembrar que, “fazer caridade” não salva ninguém, e sim “ser caridoso”. Fazer caridade pode ser um ato mecânico, externo, premeditado, pode escolher hora e lugar para isso. Ser caridoso é, necessariamente, um ato espontâneo, interno, sem planejamento e mesmo em situações imprevistas dá provas de sua superioridade moral/espiritual.
Um pode estar no caminho da vitória. O outro, já é vitorioso.
A salvação, enfim, é individual. Porém, somente pode atingi-la quem souber renunciar a si mesmo,
em favor do coletivo. Sigamos, pois!
Parabéns Márcio, pelo excelente espaço de divulgação da Doutrina Libertadora! Votos de vida longa para o blog. Bruno Tavares
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