Os tempos modernos são profundamente marcados pela falta de pensadores. Vivemos dias de grande escassez filosófica. E, quando falamos de filosofia, não nos referimos aos passeios da imaginação, pelas terras do devaneio e da fantasia. Poucas mentes compreendem a filosofia como a arte de construção do pensamento, capaz de equacionar soluções racionais que coloque ordem no caos em que mergulhou nossa tão sofisticada sociedade terrena.
A pobreza de raciocínio, frente as questões mais graves da vida, vem causando grandes transtornos sociais, embora muitos não admitam. A estrutura educacional é falha. Transforma alunos em meros recipientes de informações. Não atinge o verdadeiro objetivo da educação, que é fazer com que o princípio inteligente, claramente definido pela Doutrina Espírita, seja realmente capaz de utilizar as potencialidades inatas do espírito, evidenciando neste a grandeza e plenitude do ser pensante.
O sistema educacional demonstra seguramente que perdeu sua finalidade real. Atendendo aos interesses de pais imediatistas, rendeu-se aos apelos de uma humanidade que confere valor somente ao elemento que exibe diplomas e conquiste posições de sucesso. São verdadeiras fábricas que produzem em suas linhas de montagem, indivíduos ricos de material informativo, mas pobres de raciocínio e conceitos éticos/morais.
Com isso, o mundo está repleto de caricaturas de pensadores, rascunhos de gênios. É quase um fenômeno estonteante, quando surpreendemos em meio a multidão de idéias automatizadas, um homem que nos presenteie com a visão de alguém que conseguiu romper com os padrões de uma sabedoria artificial, visivelmente forjada nas precárias experiências de formação do pensamento de nossos ultrapassados laboratórios escolares.
Em séculos passados, o número de pensadores equilibrava-se com o número de homens das ciências. Hoje, possuímos uma infinidade de cientistas de projeção, capazes de desvendar os mistérios do mundo material, apoiados nas conquistas do intelecto. Porém, sentimos grande dificuldade em relacionar nomes que representem o tão comentado cidadão do terceiro milênio. Os homem capaz de comprender os mistérios da existência humana, de definir com a maior precisão possível, o complexto e maravilhoso fenômeno da vida. Não da biológica, que se limita aos estreitos horizontes do berço ao túmulo, mas do fascinante entendimento do "existir" que, apesar de ramificar-se em variadas formas de interpretação, acaba diluindo-se na certeza de um poder Criador que concedeu-nos a capacidade de atingir o maior ideal a que aspira a existência humana: a consciência e o conhecimento ampliado de si mesmo.
Infelizmente, estamos longe disso. Sem ares de pessimismo, não vemos como o homem atual, obstinado pela idéia do "possuir algo" e não "ser alguém", possa almejar tão ousado objetivo. O materialismo dominante cercou-nos em seu território de ilusões. Diariamente, vem destruindo no homem as possibilidades de libertação que Deus colocou ao seu alcance. As preocupações humanas, concentraram-se grandemente na busca pela estabilidade financeira. A luta pela sobrevivência, na arena agressiva da competividade social, produz consequências drásticas em nosso comportamento individual e coletivo. O medo do amanhã, que gera o excesso de trabalho ou a falta dele, tem consumido quase completamente o pouco tempo que os indivíduos poderiam dedicar ao desenvolvimento do raciocínio filosófico. Em outras palavras, grande parte da população planetária vive somente para tentar suprir, quando pode, as necessidades básicas de uma existência comum.
A ninguém podemos culpar, senão a nós mesmos. Fomos ingênuos demais quando acreditamos que o progresso tecnológico, por si só, garantiria-nos um futuro isento de aflições. Ao contrário, fomos obrigados a admitir que a inteligência, desacompanhada da razão, é como um poço seco que cavamos no grande deserto dos séculos, na tentativa de saciar a sede de compreensão sobre os mistérios que cercam a vida humana. A tão sonhada água do conhecimento sobre nós mesmos, do universo visível e invisível a nossa volta, não jorrou em nosso lábios. Perfuramos solo errado. A cratera que se abriu, revelou a grandiosidade de nossas potências mentais, no domínio e modelação da matéria. Mas, não trouxe-nos conforto espiritual. Tivemos mãos fortes na construção de uma ciência vitoriosa, mas trazemo-as frágeis na construção da paz interior. Sentimos um vazio existencial tamanho que nenhuma teoria da relatividade, nenhum projeto Genoma, nenhuma sonda espacial, nenhum chip, nenhum processo cirúrgico moderno, nenhum recurso de clonagem pode oferecer.
Temos necessidade de pensar, de projetar com segurança os próprios caminhos. Tomar decisões pessoais que sinalizem em nossa consciência a tranqüilidade de estarmos agindo corretamente, sem prejuízo dos demais. De tempo para si mesmo, a fim de providenciarmos o resgate do próprio “ser”, de nosso otimismo, nossa esperança e alegria de viver, naufragada no mar de lamentações contínuas a que se resumiu nossa descolorida existência, tão vincula as inúmeras exigências do “ter”. Iludimo-nos quando acreditamos que possuir conhecimento acadêmico, tornaria-nos alguém neste e em outros mundos.
Não podemos mais enganarmo-nos. Os bancos universitários formam profissionais altamente qualificados, é verdade. Mas, não suprem no homem a necessidade vital de raciocinar e compreender o porque de suas dores. Não fornecem elementos que permitam-lhe discernir a verdade, da impostura, do bem e do mal. Apenas asseguram, quando muito, um lugar confortável no desgastado e temporário cenário do sucesso humano. E isso tem-se mostrado ineficiente para conter o número de suicídios que multiplica-se a cada ano, resultado das imensas insatisfações íntimas.
O abismo existencial que abriu-se em nós, não pode ser preenchido com diplomas escolares, nem com audaciosos projetos tecnológicos. Somente sentiremo-nos preenchidos interiormente, quando adquirirmos verdadeiramente a capacidade de refletir sobre as próprias misérias, sabendo arrancar corajosamente dos momentos de sofrimento, as reflexões maduras e sinceras a cerca dos erros e acertos que gravitam em torno de nossas atitudes.
Apesar de falarmos tanto em livre arbítrio, não percebemos ainda que permitimos, pacificamente ou passivamente, o seu seqüestro pelo materialismo terrorista que vem manipulando nossas vontades, tornando-nos operários cegos da empresa do consumismo desequilibrado. Vivemos apenas para adquirir o que não podemos e desejar loucamente o que não temos. Não sobrou espaço, nem tempo, para sermos obreiros na construção de novos pensamentos, de valores morais mais elevados para o espírito imortal. Quando muito, decidimos “perder” um tempinho para assimilar(e com dificuldade), as idéias de pensadores antigos. E, não raro, apesar de sabermos o que pensavam ou qual eram suas posições diante dos mais variados assuntos, não conseguimos interpretar com fidelidade a profundidade de sua mensagem. Tal é o caso de Jesus. Isso porque, apenas conhecemos o que pensavam, mas não conseguimos, ainda, pensar como eles pensavam. Aliás, como já comentamos, poucos são os que conseguir produzir algo novo de si mesmos. A grande maioria é apenas veículo de conceitos de uma minoria pensante.
A Doutrina Espírita e, principalmente o Livro dos Espíritos, surge em nosso socorro. É o maior tratado filosófico que conhecemos. É um convite a níveis mais altos de racioncínio. Para o observador atento, é fácil verificar que os Espíritos Superiores, em muitas questões, trouxeram-nos apenas o anteprojeto de um edifício grandioso que chama-se verdade, deixando a cada um a conquista e o mérito das conclusões.
Quem apenas deseja adquirir conhecimento, memorizando as surpreendentes respostas que os espíritos forneciam a Kardec, sob a supervisão do Espírito Verdade, achará o livro interessante ou, ainda, ótimo para desconcertar algumas mentes acomodadas. Mas, para quem permite-se longas e inevitáveis reflexões, irá adquirir a capacidade de concatenar as respostas por uma visão de conjunto, não alimentando dúvidas quanto a verdadeira finalidade da obra, que é transformar o ser humano, ofertando, gratuitamente, o que as melhores universidades, apesar de cobrarem rios de dinheiro, não estão aptas a fornecer: a oportunidade preciosa de pensar e estruturar dentro de si, o que Jesus ora chamava de Verdade, ora de Reino de Deus.
Quem se dedica a meditação diária, observando os mínimos aspectos do que acontece no mundo exterior e interior, prioriza sua evolução. Cria dentro de si os fundamentos da lógica e da razão. Quem apenas memoriza conceitos alheios, seja de encarnados ou desencarnados, robotiza o cérebro. Não proclamou sua independência mental. Fica a mercê do que outros pensam, acham ou impõem. Certamente, a inteligência é uma força poderosa e necessária. Através dela podemos “ter” muitas coisas. Entretanto, o desenvolvimento do raciocínio filosófico, premia-nos com algo bem maior e mais transcendente que é “ser” alguém. Não para os outros, e sim para si mesmo. A universidade espírita do pensamento, que não guarda semelhança com as instituições terrenas, foi planejada por consciências espirituais de raciocínio extremamente refinado e elaborado. E quem se candidata a matricular-se neste avançado curso de filosofia, ciência e moral, recebe, ao final de anos de estudos, o diploma mais precioso que podemos alcançar: a fé raciocinada. Estejamos certos que uma mente brilhante pode trazer intensa luminosidade para os assuntos terrenos. Mas, é facilmente ofuscada, quando exposta a claridade mais radiante que são os interesses do espírito.
Pensamentos e Artigos
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segunda-feira, 23 de maio de 2011
quarta-feira, 18 de maio de 2011
A Salvação
A pobreza de entendimento espiritual do homem tem causado disputas, separações e divisões intermináveis. As religiões, na grande maioria sustentada por falsos princípios, fragmentaram-se. Os dogmas que as sustentaram por séculos, conferindo-lhes poder e prestígio, hoje, as tornam vulneráveis, frágeis e insuficientes diante da alma humana que saiu da infância do crer para entrar na maturidade do saber.
Cada crença reivindica a posse exclusiva de Deus, da salvação, da verdade absoluta, com total exclusão dos demais. Em nossa tola presunção, acreditamos que o Senhor se preocuparia mais com a forma do que com o fundo, ou seja, que seremos admitidos nos reinos divinos em função da crença que esposamos e não do bem que praticamos e do mal que evitamos. Nos faz lembrar o diálogo de Jesus com o doutor da lei em Lucas 10:25-37. O Mestre divino foi claro em dizer que o Reino Celeste não está reservado àqueles cuja Palavra de Deus está presente nos lábios, mas ausente do coração ( entenda-se nas ações). Para frustração do sacerdote intelectualizado e alegria do povo simples, o Messias indicou o Samaritano, marginalizado e desprezado pelos judeus, como sendo o legítimo herdeiro da Vida Eterna. Em outras palavras, Jesus não afirmou que aquele homem seria salvo por ser judeu “samaritano”, e o outro condenado por ser judeu “ortodoxo”, e sim pela caridade que somente o primeiro soube demonstrar, para com o desconhecido necessitado. O pregador da Lei podia ter pleno domínio no manuseio e conhecimento das Escrituras. Era rico de informação, mas pobre de Amor. O Samaritano, por sua vez, podia ser miserável de conhecimentos, mas era milionário de sentimentos nobres. A caridade, mostrou o Cristo, é o único caminho que nos conduz à felicidade nos céus. Isso porque a caridade é Universal. Não é propriedade de nenhuma religião. Todos, sem distinção de raça, cor, credo, sexo, idade, podem praticá-la. Importante lembrar que, “fazer caridade” não salva ninguém, e sim “ser caridoso”. Fazer caridade pode ser um ato mecânico, externo, premeditado, pode escolher hora e lugar para isso. Ser caridoso é, necessariamente, um ato espontâneo, interno, sem planejamento e mesmo em situações imprevistas dá provas de sua superioridade moral/espiritual.
Um pode estar no caminho da vitória. O outro, já é vitorioso.
A salvação, enfim, é individual. Porém, somente pode atingi-la quem souber renunciar a si mesmo,
em favor do coletivo. Sigamos, pois!
Cada crença reivindica a posse exclusiva de Deus, da salvação, da verdade absoluta, com total exclusão dos demais. Em nossa tola presunção, acreditamos que o Senhor se preocuparia mais com a forma do que com o fundo, ou seja, que seremos admitidos nos reinos divinos em função da crença que esposamos e não do bem que praticamos e do mal que evitamos. Nos faz lembrar o diálogo de Jesus com o doutor da lei em Lucas 10:25-37. O Mestre divino foi claro em dizer que o Reino Celeste não está reservado àqueles cuja Palavra de Deus está presente nos lábios, mas ausente do coração ( entenda-se nas ações). Para frustração do sacerdote intelectualizado e alegria do povo simples, o Messias indicou o Samaritano, marginalizado e desprezado pelos judeus, como sendo o legítimo herdeiro da Vida Eterna. Em outras palavras, Jesus não afirmou que aquele homem seria salvo por ser judeu “samaritano”, e o outro condenado por ser judeu “ortodoxo”, e sim pela caridade que somente o primeiro soube demonstrar, para com o desconhecido necessitado. O pregador da Lei podia ter pleno domínio no manuseio e conhecimento das Escrituras. Era rico de informação, mas pobre de Amor. O Samaritano, por sua vez, podia ser miserável de conhecimentos, mas era milionário de sentimentos nobres. A caridade, mostrou o Cristo, é o único caminho que nos conduz à felicidade nos céus. Isso porque a caridade é Universal. Não é propriedade de nenhuma religião. Todos, sem distinção de raça, cor, credo, sexo, idade, podem praticá-la. Importante lembrar que, “fazer caridade” não salva ninguém, e sim “ser caridoso”. Fazer caridade pode ser um ato mecânico, externo, premeditado, pode escolher hora e lugar para isso. Ser caridoso é, necessariamente, um ato espontâneo, interno, sem planejamento e mesmo em situações imprevistas dá provas de sua superioridade moral/espiritual.
Um pode estar no caminho da vitória. O outro, já é vitorioso.
A salvação, enfim, é individual. Porém, somente pode atingi-la quem souber renunciar a si mesmo,
em favor do coletivo. Sigamos, pois!
A Lei Divina e a Lei Humana
No capítulo I do ESE, Kardec estabelece a diferença entre a lei divina, "recebida" por Moisés e a lei humana "concebida" por este. Passados aproximadamente 3400 anos, a distinção existente entre o código divino e o código humano ainda se faz perfeitamente visível. Através dos tempos, cada país formulou seu próprio sistema de leis, adaptando-as conforme as circunstâncias. Sem dúvida, as leis humanas de hoje, são muito mais justas do que as de ontem, porém, ainda incompletas e oscilantes.
Seguindo a linha de raciocínio de Kardec, que estabelece essa divisão de águas, é possível verificarmos, principalmente nos dias atuais, que um homem pode ter todas as suas obrigações e deveres cumpridos perante os tribunais humanos, mas estar muito longe de ter suas obrigações e deveres cumpridos perante os tribunais divinos.
Tomemos como exemplo um cidadão que está em dia com seu Imposto de Renda, seu IPTU, sua conta de água, luz, sempre pagou as dívidas contraídas, comparece as urnas para votar etc.. Aos olhos da sociedade e da justiça humana, nada existe que possa desmerecer ou desqualificar sua condição de honestidade ou dignidade. Porém, esta mesma criatura, em seu lar, é um verdadeiro tirano. No trabalho, construiu sua brilhante carreira, valendo-se do esforço e das deficiências de seus companheiros. Jamais desperdiça a oportunidade de comentar a vida alheia. Solidariedade para com amigos caídos em provação, jamais constou em sua filosofia de vida.
Ao final esse indivíduo é visto como um homem de bem ou como um vencedor diante da visão jurídico/social, porque enquadra-se perfeitamente dentro dos códigos de leis que regem a vida no plano material. Mas, está muito longe de ser qualificado como um homem de bem, perante a visão de Deus. Sua vida cívil pode ser satisfatória, mas sua vida moral é um fracasso. Para os órgãos jurídicos humanos, contas e tributos pagos é o que interessa, mas, para o Criador, esses documentos nada significam. Os únicos documentos válidos são os que atestam o bem ou o mal que se pratica ou que se deixou de praticar.
Isso nos leva a seguinte reflexão: é preciso cuidado porque não é tão somente pelo cumprimento das leis humanas (que gera o bom cidadão), que podemos qualificar a quem quer que seja, como homem de bem. Isto, porque, o "homem ruim" (no aspecto moral), também pode passar-se por "bom cidadão" (no aspecto legal), como no exemplo acima. O bom cidadão existe no homem de bem, mas, nem sempre o homem de bem existe no bom cidadão. O observador sensato não avalia um quadro pela moldura, mas pela beleza da pintura.
Essa análise pode ser estendida a todos os setores da vida terrena. O médico pode estar rigorosamente dentro das normas estabelecidas pelo Conselho de Medicina e ser aprovado como bom profissional, mas quando vê diante de si apenas um cliente ou um aglomerado de células físicas carregando alguma patologia, e não um ser momentaneamente necessitado e vulnerável, podemos dizer que ele está sendo eficiente em termos legais ou médicos, mas certamente está sendo deficiente em termos espirituais.
A lei dos homens tem seu grande valor porque civiliza a humanidade. Mas, a lei de Deus, além de civilizá-la, a torna crística. Isso equivale dizer que o homem meramente civilizado opta por viver sob normas humanas, a fim de que isso mantenha sua estabilidade social e não comprometa sua limitada vida material. O homem crístico, opta viver sob normas humanas e principalmente divinas, a fim de ver mantida sua integridade moral, entendendo que esse é o único caminho que não compromete sua gigantesca vida espiritual. Um é ainda inconscientemente individualista e se adapta somente ao plano terreno, o outro já é conscientemente altruísta e adaptável a planos mais elevados.
Na verdade, as leis humanas servem para conter os abusos que poderiam prejudicar o equilíbrio e a harmonia da vida em sociedade, mantendo-a dentro de padrões aceitáveis. Mas esses padrões nada dizem a respeito de humildade, de altruísmo, de amor, de solidariedade, de simplicidade. Isso porque, essas virtudes não estão impressas em nenhum órgão de Defesa do Consumidor, não são estudadas nos bancos das universidades, e muito menos constam nos códigos penais.
As leis divinas não podem absorver as leis humanas pois se tornariam instáveis como essas. Mas, as leis humanas podem e devem absorver as leis divinas. Não queremos com isso dizer que devemos incorporar o Evangelho de Jesus em nossa Constituição, na CLT, nos códigos de trânsito etc. De nada adiantaria. Se os homens não cumprem as leis de Deus que estão no mundo há milênios, não seria "oficializando" as mesmas, registrando-as em cartório ou algo parecido, que estas milagrosamente seriam seguidas.
Além disso, os juízes humanos não estariam aptos a fazer valer as leis divinas. Se falham no julgamento daquilo que eles mesmos conceberam, que diria das leis que talvez desconheçam ou rejeitam. Qualquer departamento humano imperfeito será sempre incapaz de julgar o que é perfeito. Aliás, o homem evoluído, conta com um juiz eficiente, que é sua consciência, defensora ou acusadora de seus atos. Em outras palavras, o juiz humano é intermediário das leis da terra, mas a consciência é intermediária das leis do Alto.
Quando dizemos que as leis humanas devem absorver as leis divinas é certamente no sentido de mostrarmos a influência e a importância real que estas possuem, não somente na esfera restrita de nossa vida de homens, mas principalmente na esfera infinita de nossa vida de Espíritos. E, para isso, não é preciso que estejam escritas em um manual ou formalizadas em algum livro a fim de nos orientarmos mecanicamente. É preciso que estejam inscritas na intimidade de nosso ser, para que estas possam se verificar no surgimento de atos espontâneos, de querência interior e não de simples obrigação exterior.
A humanidade de hoje, ainda convive com esses dois tipos de leis, exatamente como à época de Moisés. E, por que, se os tempos são outros? A resposta é simples. Enquanto as leis divinas não estiverem bem consolidadas, espiritualmente, nas consciências é necessário que as leis humanas existam, materialmente, nos papéis. Viver sem as leis humanas seria viver num caos completo, mas viver com as leis humanas e sem as leis divinas é igualmente viver num caos, só que mais ou menos controlado. E é isso o que está acontecendo.
Enfim, enquanto César estiver entre nós, convém dar a César o que é de César, mas jamais esquecendo de dar a Deus o que é de Deus, porque na hora das dificuldades César pode atender nossas necessidades de homens, mas, somente Deus poderá atender nossas necessidades de Espírito.
Perigos Eletrônicos
Sem sombra de dúvida, os computadores têm se mostrado importantes aliados do mundo contemporâneo nos mais variados departamentos da vida. Essas máquinas têm presença certa em nosso dia-a-dia e a elas tentamos nos adaptar. Ocupam os bancos, os supermercados, as mesas de escritório, os quartos dos adolescentes, os automóveis, e saber manuseá-las tornou-se indispensável para um bom emprego. Mas, infelizmente, o ser humano vem tentando atribuir a esse conjunto de componentes eletrônicos, responsabilidades que somente cabem a nós, seres dotados do livre-arbítrio e do raciocínio.
O mercado de aplicativos, por exemplo, está saturado de programas voltados para os consumidores infantis, sendo comum ouvirmos hoje em dia: "Meu filho de apenas 5 anos já é um cobra no computador. Sabe de coisas que eu nem imaginava". É evidente que ele saberá manipular o mouse e o teclado de forma eficiente, pois as crianças são verdadeiras esponjas absorvendo conhecimento. Mas, que isso não seja motivo de satisfação antecipada para ninguém, pois as maiores atrocidades cometidas contra a humanidade, foram causadas por indivíduos dotados de grande inteligência. Novamente, salientamos que homem instruído não é sinônimo de homem educado. A instrução torna o ser humano culto, erudito, enquanto a educação o torna bom.
O computador não passa de ferramenta útil para ativar ou estimular zonas cerebrais, mas não educa o ser. A situação se agrava quando vemos pequeninos e adolescentes num delírio frenético, passarem horas a fio na frente do vídeo, lutando, matando, surrando; alucinados por derrotar o inimigo (diga-se semelhante) a qualquer custo, dentro de jogos destrutivos, que apesar de estarem num mundo virtual, facilmente se transferem para a realidade. Esses produtos exercem uma influência deveras perniciosa sobre as mentes mirins, na fase em que deveriam estar elaborando valores da alma.
Se, através de pílulas de placebo, através de indução, fazem crescer cabelo em 40 % dos calvos, o que pensar do estímulo à violência que provocam esses terríveis obsessores eletrônicos, disfarçados de inocentes jogos? É preciso barrar em nossos lares a entrada desses produtos nocivos, rentáveis somente para quem os vende, mas que podem trazer a ruína para quem os compra. É preciso substituí-los por programas que proporcionem divertimento sadio.
Deixar se levar pela indiferença dominante é agir com irresponsabilidade perante os compromissos da vida, que fornece inúmeras oportunidades de crescimento no auxílio ao Espírito encarnado, que nos chama de pai ou mãe, esperançoso em receber de nós a melhor educação, orientando-o a caminhar na sociedade contemporânea, que se transformou em verdadeiro campo minado, onde o menor deslize pode ser fatal.
Chegamos a ponto de indivíduos cadastrarem-se em agências (somente em um desses locais, existem 10 mil novos candidatos, muitos com nível superior), onde por meio de sofisticados programas de computador, é feita uma análise combinatória, na busca de parceiros ideais que queiram atender as mais desvairadas exigências. Sofistica-se a estupidez e o desequilíbrio.
A chamada "incompatibilidade de gênio" vem sido largamente utilizada para acobertar a crescente dificuldade em se praticar a indulgência, o companheirismo, o perdão, a amizade, a tolerância e o respeito ao ser que escolhemos como parceiro. As crises pessoais podem ser resolvidas às custas de compreensão e dedicação que, por vezes, consomem anos e não em segundos de processamento e comparação de dados. Pobre humanidade, que mais uma vez atesta sua fragilidade em lidar com as questões graves da vida, entregando-se aos comerciantes da dor, que sabem converter a ignorância em moeda corrente.
A mais sofisticada máquina não pode fazer de nossa existência um livro de conto de fadas onde a utopia do "viveram felizes para sempre ..." somente encontra eco em mentes distantes da realidade, que buscam a possibilidade de alçar o vôo da felicidade sem lutas, suor, resignação ou esforço conjunto no domínio do egocentrismo. Passamos por delicado momento, em que devemos utilizar a moderna tecnologia na prática do bem, no despertar das consciências adormecidas pelas cantigas de ninar da materialidade. O computador pode realizar milhões de cálculos em segundos, mas será sempre um escravo da vontade do Espírito, único ser capaz de mudar os rumos do próprio destino e conhecer a verdade que liberta.
O mercado de aplicativos, por exemplo, está saturado de programas voltados para os consumidores infantis, sendo comum ouvirmos hoje em dia: "Meu filho de apenas 5 anos já é um cobra no computador. Sabe de coisas que eu nem imaginava". É evidente que ele saberá manipular o mouse e o teclado de forma eficiente, pois as crianças são verdadeiras esponjas absorvendo conhecimento. Mas, que isso não seja motivo de satisfação antecipada para ninguém, pois as maiores atrocidades cometidas contra a humanidade, foram causadas por indivíduos dotados de grande inteligência. Novamente, salientamos que homem instruído não é sinônimo de homem educado. A instrução torna o ser humano culto, erudito, enquanto a educação o torna bom.
O computador não passa de ferramenta útil para ativar ou estimular zonas cerebrais, mas não educa o ser. A situação se agrava quando vemos pequeninos e adolescentes num delírio frenético, passarem horas a fio na frente do vídeo, lutando, matando, surrando; alucinados por derrotar o inimigo (diga-se semelhante) a qualquer custo, dentro de jogos destrutivos, que apesar de estarem num mundo virtual, facilmente se transferem para a realidade. Esses produtos exercem uma influência deveras perniciosa sobre as mentes mirins, na fase em que deveriam estar elaborando valores da alma.
Se, através de pílulas de placebo, através de indução, fazem crescer cabelo em 40 % dos calvos, o que pensar do estímulo à violência que provocam esses terríveis obsessores eletrônicos, disfarçados de inocentes jogos? É preciso barrar em nossos lares a entrada desses produtos nocivos, rentáveis somente para quem os vende, mas que podem trazer a ruína para quem os compra. É preciso substituí-los por programas que proporcionem divertimento sadio.
Deixar se levar pela indiferença dominante é agir com irresponsabilidade perante os compromissos da vida, que fornece inúmeras oportunidades de crescimento no auxílio ao Espírito encarnado, que nos chama de pai ou mãe, esperançoso em receber de nós a melhor educação, orientando-o a caminhar na sociedade contemporânea, que se transformou em verdadeiro campo minado, onde o menor deslize pode ser fatal.
Chegamos a ponto de indivíduos cadastrarem-se em agências (somente em um desses locais, existem 10 mil novos candidatos, muitos com nível superior), onde por meio de sofisticados programas de computador, é feita uma análise combinatória, na busca de parceiros ideais que queiram atender as mais desvairadas exigências. Sofistica-se a estupidez e o desequilíbrio.
A chamada "incompatibilidade de gênio" vem sido largamente utilizada para acobertar a crescente dificuldade em se praticar a indulgência, o companheirismo, o perdão, a amizade, a tolerância e o respeito ao ser que escolhemos como parceiro. As crises pessoais podem ser resolvidas às custas de compreensão e dedicação que, por vezes, consomem anos e não em segundos de processamento e comparação de dados. Pobre humanidade, que mais uma vez atesta sua fragilidade em lidar com as questões graves da vida, entregando-se aos comerciantes da dor, que sabem converter a ignorância em moeda corrente.
A mais sofisticada máquina não pode fazer de nossa existência um livro de conto de fadas onde a utopia do "viveram felizes para sempre ..." somente encontra eco em mentes distantes da realidade, que buscam a possibilidade de alçar o vôo da felicidade sem lutas, suor, resignação ou esforço conjunto no domínio do egocentrismo. Passamos por delicado momento, em que devemos utilizar a moderna tecnologia na prática do bem, no despertar das consciências adormecidas pelas cantigas de ninar da materialidade. O computador pode realizar milhões de cálculos em segundos, mas será sempre um escravo da vontade do Espírito, único ser capaz de mudar os rumos do próprio destino e conhecer a verdade que liberta.
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